É Rir Pra Não Chorar
Jota Quest
Composição: Indisponível
Tô pensando muito sério
Em mudar meu raciocínio
Tô querendo ficar zen
Mas não tenho patrocínio
Falta o líquido e o certo
Falta até água da chuva
Pra lavar essa sujeira
Pra levar essa minha busca
Eu sei que tenho que ir assim
Não vou ficar parado aqui
Sem fazer nada
Eu te aconselho à vir também
Porque já não dá mais pra deixar prá lá
Tem gente que tá puro lixo
E quem tá com a mão mais suja
O empresário ou o político
O acusado ou quem acusa
Eu peço a atenção ao povo
Quando for eleger de novo
Se lembrem de tudo
Que pensem no futuro
Ah Ah Ah Ah É rir pra não chorar
É que agora veio à tona
O que já tava acontecendo
Acabou não tem mistério
O que estavam escondendo
Não se sabe de onde vem
Só que é muita grana suja
Dividiram entre eles
O que era de outros, meu
Eu sei que eu devo ir assim
Não vou ficar parado aqui
Sem fazer nada
E eu te aconselho a vir também
Por que já não dá mais pra deixar pra lá
Não é possível que essa troup
Depois dessa saia impune
Que senão Deus nos ajude
Que eu tenha força e atitude
Eu peço a atenção ao povo
Quando for eleger de novo
Se lembrem de tudo
E pensem no fututo.
25 de novembro de 2008
HI HÁ GENT QUE SAP ANAR PEL MÓN
HI HÁ GENT QUE SAP ANAR PEL MÓN
( Provérbio Catalão )
Este provérbio muito me inspira, especialmente agora que escrevo.Ele quer dizer: E há gente que sabe andar pelo mundo.
Adoção: tenho que lhes contar, há algum tempo sou minha me adquiri num mercado onde o escambo era da posse pela liberdade.Obtive-me numa dessas voltas da morte, me acolhi num desses retornos do inferno. È porque viver sendo mulher, hoje, cantora, sensível, é tarefa árdua. Mas me dei banho, abrigo, roupas, amor enfim.Adotei o meu mim.Aliás, o melhor de mim.
Como quem se demarca e crava em si o mastro da terra á vista.
Quando jovem achava que sonhar era realizar.Doce.Adotei com o tempo
Aliás, que respeito muito mais hoje, também meu mim, mais tato, paladar, cheiro, trato, e ouvido. Ah, meu ouvido meu órgão mais orientador.Meu guia.Por ele canto.E me salvo todo dia.Não sei se te contei me recebi á porta
da minha casa.Abracei, mandei sentar. È me abracei, destranquei a porta.
Que é pra poder sempre voltar.Dei apenas o céu, á sua legítima gaivota.
Somos a sociedade, ao mesmo tempo cota, visita e anfitriã.
Convivemos, ou menos devemos. È um exercício, diário, de insight.
Trocas de energia, simbioses, nelores.Não importa se tenho 27 e você 45, ou 32, importa que sejamos o mais satisfeito possíveis.Como pessoas falíveis e com todos os defeitos a que temos direito.Ainda assim me recuso a pensar que viemos aqui pra passar trabalho, ou sofrer.Somos responsáveis por tudo que nos acontece, então sejamos felizes e satisfeitos, e responsáveis por isso.Assim mesmo, com orgulho sou autor disto.E nessa sociedade moram agora num mesmo elemento, juntas se ancoram, nas viagens das eras.
No novelo do umbigo.No embrião do centro.No colo do tempo.
Entende-me?Quero andar por aí, fazendo diferença.Pra melhorar isso tudo, sabe?Se pra dois seres humanos ótimo, se pra dois mil melhor.Profissionalmente.Particularmente se andar por aí e interagir, perfeito.
Já ando por aí, e vejo o mundo.Falta só comunicar.Pra quê mais?
( Provérbio Catalão )
Este provérbio muito me inspira, especialmente agora que escrevo.Ele quer dizer: E há gente que sabe andar pelo mundo.
Adoção: tenho que lhes contar, há algum tempo sou minha me adquiri num mercado onde o escambo era da posse pela liberdade.Obtive-me numa dessas voltas da morte, me acolhi num desses retornos do inferno. È porque viver sendo mulher, hoje, cantora, sensível, é tarefa árdua. Mas me dei banho, abrigo, roupas, amor enfim.Adotei o meu mim.Aliás, o melhor de mim.
Como quem se demarca e crava em si o mastro da terra á vista.
Quando jovem achava que sonhar era realizar.Doce.Adotei com o tempo
Aliás, que respeito muito mais hoje, também meu mim, mais tato, paladar, cheiro, trato, e ouvido. Ah, meu ouvido meu órgão mais orientador.Meu guia.Por ele canto.E me salvo todo dia.Não sei se te contei me recebi á porta
da minha casa.Abracei, mandei sentar. È me abracei, destranquei a porta.
Que é pra poder sempre voltar.Dei apenas o céu, á sua legítima gaivota.
Somos a sociedade, ao mesmo tempo cota, visita e anfitriã.
Convivemos, ou menos devemos. È um exercício, diário, de insight.
Trocas de energia, simbioses, nelores.Não importa se tenho 27 e você 45, ou 32, importa que sejamos o mais satisfeito possíveis.Como pessoas falíveis e com todos os defeitos a que temos direito.Ainda assim me recuso a pensar que viemos aqui pra passar trabalho, ou sofrer.Somos responsáveis por tudo que nos acontece, então sejamos felizes e satisfeitos, e responsáveis por isso.Assim mesmo, com orgulho sou autor disto.E nessa sociedade moram agora num mesmo elemento, juntas se ancoram, nas viagens das eras.
No novelo do umbigo.No embrião do centro.No colo do tempo.
Entende-me?Quero andar por aí, fazendo diferença.Pra melhorar isso tudo, sabe?Se pra dois seres humanos ótimo, se pra dois mil melhor.Profissionalmente.Particularmente se andar por aí e interagir, perfeito.
Já ando por aí, e vejo o mundo.Falta só comunicar.Pra quê mais?
Carta ao Zézim
Trecho da Carta ao Zézim -
Caio Fernando Abreu
Porto, 22 de dezembro de 1979
(...) A solução, concordo, não está na temperança. Nunca esteve nem vai estar. Sempre achei que os dois tipos mais fascinantes de pessoas são as putas e os santos, e ambos são inteiramente destemperados, certo? Não há que abster-se: há que comer desse banquete. Zézim, ninguém te ensinará os caminhos. Ninguém me ensinará os caminhos. Ninguém nunca me ensinou caminho nenhum, nem a você, suspeito. Avanço às cegas. Não há caminhos a serem ensinados, nem aprendidos. Na verdade, não há caminhos. E lembrei duns versos dum poeta peruano (será Vallejo? não estou certo): “Caminante, no hay camino. Pero el camino se hace ai anda”.Mais: já pensei, sim, se Deus pifar. E pifará, pifará porque você diz ”Deus é minha última esperança". Zézim, eu te quero tanto, não me ache insuportavelmente pretensioso dizendo essas coisas, mas ocê parece cabeça-dura demais. Zézim, não há última esperança, a não ser a morte. Quem procura não acha. É preciso estar distraído e não esperando absolutamente nada. Não há nada a ser esperado. Nem desesperado. Tudo é maya / ilusão. Ou samsara / círculo vicioso.Certo, eu li demais zen-budismo, eu fiz ioga demais, eu tenho essa coisa de ficar mexendo com a magia, eu li demais Krishnamurti, sabia? E também Allan Watts, e D. T. Suzuki, e isso freqüentemente parece um pouco ridículo às pessoas. Mas, dessas coisas, acho que tirei pra meu gasto pessoal pelo menos uma certa tranqüilidade.Você me pergunta: que que eu faço? Não faça, eu digo. Não faça nada, fazendo tUdo, acordando todo dia, passando café, arrumando a cama, dando uma volta na quadra, ouvindo um som, alimentando a Pobre. Você tá ansioso e isso é muito pouco religioso. Pasme: acho que você é muito pouco religioso. Mesmo. Você deixou de queimar fumo e foi procurar Deus. Que é isso? Tá substituindo a maconha por Jesusinho? Zézim, vou te falar um lugar-comum desprezível, agora, lá vai: você não vai encontrar caminho nenhum fora de você. E você sabe disso. O caminho é in, não off. Você não vai encontrá-lo em Deus nem na maconha, nem mudando para Nova York, nem.(...)Isso é o que te desejo na nova década. Zézim, vamos lá. Sem últimas esperanças. Temos esperanças novinhas em folha, todos os dias. E nenhuma, fora de viver cada vez mais plenamente, mais confortáveis dentro do que a gente, sem culpa, é. Let me take you: I’m going to strawberry fields.
Caio Fernando Abreu
Porto, 22 de dezembro de 1979
(...) A solução, concordo, não está na temperança. Nunca esteve nem vai estar. Sempre achei que os dois tipos mais fascinantes de pessoas são as putas e os santos, e ambos são inteiramente destemperados, certo? Não há que abster-se: há que comer desse banquete. Zézim, ninguém te ensinará os caminhos. Ninguém me ensinará os caminhos. Ninguém nunca me ensinou caminho nenhum, nem a você, suspeito. Avanço às cegas. Não há caminhos a serem ensinados, nem aprendidos. Na verdade, não há caminhos. E lembrei duns versos dum poeta peruano (será Vallejo? não estou certo): “Caminante, no hay camino. Pero el camino se hace ai anda”.Mais: já pensei, sim, se Deus pifar. E pifará, pifará porque você diz ”Deus é minha última esperança". Zézim, eu te quero tanto, não me ache insuportavelmente pretensioso dizendo essas coisas, mas ocê parece cabeça-dura demais. Zézim, não há última esperança, a não ser a morte. Quem procura não acha. É preciso estar distraído e não esperando absolutamente nada. Não há nada a ser esperado. Nem desesperado. Tudo é maya / ilusão. Ou samsara / círculo vicioso.Certo, eu li demais zen-budismo, eu fiz ioga demais, eu tenho essa coisa de ficar mexendo com a magia, eu li demais Krishnamurti, sabia? E também Allan Watts, e D. T. Suzuki, e isso freqüentemente parece um pouco ridículo às pessoas. Mas, dessas coisas, acho que tirei pra meu gasto pessoal pelo menos uma certa tranqüilidade.Você me pergunta: que que eu faço? Não faça, eu digo. Não faça nada, fazendo tUdo, acordando todo dia, passando café, arrumando a cama, dando uma volta na quadra, ouvindo um som, alimentando a Pobre. Você tá ansioso e isso é muito pouco religioso. Pasme: acho que você é muito pouco religioso. Mesmo. Você deixou de queimar fumo e foi procurar Deus. Que é isso? Tá substituindo a maconha por Jesusinho? Zézim, vou te falar um lugar-comum desprezível, agora, lá vai: você não vai encontrar caminho nenhum fora de você. E você sabe disso. O caminho é in, não off. Você não vai encontrá-lo em Deus nem na maconha, nem mudando para Nova York, nem.(...)Isso é o que te desejo na nova década. Zézim, vamos lá. Sem últimas esperanças. Temos esperanças novinhas em folha, todos os dias. E nenhuma, fora de viver cada vez mais plenamente, mais confortáveis dentro do que a gente, sem culpa, é. Let me take you: I’m going to strawberry fields.
A CAMA
Cama
A cama pode ser fria, pode ser quente
Pode dar força, pode deixar impotente
Pode animar, pode fazer dependente
Pode ser quieta, pode ser estridente
Pode espantar, pode ser envolvente
Pode ser para amar, pode ser pra doente
Pode acordar, pode trazer sonhos intermitentes
Pode aconchegar, pode expulsar de repente
Isso somente se sente
Quuando se passa mais tempo na cama
Do que com gente.
A cama pode ser fria, pode ser quente
Pode dar força, pode deixar impotente
Pode animar, pode fazer dependente
Pode ser quieta, pode ser estridente
Pode espantar, pode ser envolvente
Pode ser para amar, pode ser pra doente
Pode acordar, pode trazer sonhos intermitentes
Pode aconchegar, pode expulsar de repente
Isso somente se sente
Quuando se passa mais tempo na cama
Do que com gente.
Campanha frases de camisetas
''Se conhecemos o inimigo e a nós mesmos, não precisamos temer o resultado de uma centena de combates.''
Hino ou Canção??
Podres Poderes
Caetano Veloso
Composição: Caetano Veloso
Enquanto os homens exercem
Seus podres poderes
Motos e fuscas avançam
Os sinais vermelhos
E perdem os verdes
Somos uns boçais...
Queria querer gritar
Setecentas mil vezes
Como são lindos
Como são lindos os burgueses
E os japoneses
Mas tudo é muito mais...
Será que nunca faremos
Senão confirmar
A incompetência
Da América católica
Que sempre precisará
De ridículos tiranos
Será, será, que será?
Que será, que será?
Será que esta
Minha estúpida retórica
Terá que soar
Terá que se ouvir
Por mais zil anos...
Enquanto os homens exercem
Seus podres poderes
Índios e padres e bichas
Negros e mulheres
E adolescentes
Fazem o carnaval...
Queria querer cantar
Afinado com eles
Silenciar em respeito
Ao seu transe num êxtase
Ser indecente
Mas tudo é muito mau...
Ou então cada paisano
E cada capataz
Com sua burrice fará
Jorrar sangue demais
Nos pantanais, nas cidades
Caatingas e nos gerais
Será que apenas
Os hermetismos pascoais
E os tons, os mil tons
Seus sons e seus dons geniais
Nos salvam, nos salvarão
Dessas trevas e nada mais...
Enquanto os homens exercem
Seus podres poderes
Morrer e matar de fome
De raiva e de sede
São tantas vezes
Gestos naturais...
Eu quero aproximar
O meu cantar vagabundo
Daqueles que velam
Pela alegria do mundo
Indo e mais fundoTins e bens e tais...
Será que nunca faremos
Senão confirmar
Na incompetência
Da América católica
Que sempre precisará
De ridículos tiranos
Será, será, que será?
Que será, que será?
Será que essa
Minha estúpida retórica
Terá que soar
Terá que se ouvir
Por mais zil anos...
Ou então cada paisano
E cada capataz
Com sua burrice fará
Jorrar sangue demais
Nos pantanais, nas cidades
Caatingas e nos gerais...
Será que apenas
Os hermetismos pascoais
E os tons, os mil tons
Seus sons e seus dons geniais
Nos salvam, nos salvarão
Dessas trevas e nada mais...
Enquanto os homens
Exercem seus podres poderes
Morrer e matar de fome
De raiva e de sede
São tantas vezes
Gestos naturais
Eu quero aproximar
O meu cantar vagabundo
Daqueles que velam
Pela alegria do mundo...
Indo mais fundoTins e bens e tais!
Indo mais fundoTins e bens e tais!
Indo mais fundoTins e bens e tais!
Caetano Veloso
Composição: Caetano Veloso
Enquanto os homens exercem
Seus podres poderes
Motos e fuscas avançam
Os sinais vermelhos
E perdem os verdes
Somos uns boçais...
Queria querer gritar
Setecentas mil vezes
Como são lindos
Como são lindos os burgueses
E os japoneses
Mas tudo é muito mais...
Será que nunca faremos
Senão confirmar
A incompetência
Da América católica
Que sempre precisará
De ridículos tiranos
Será, será, que será?
Que será, que será?
Será que esta
Minha estúpida retórica
Terá que soar
Terá que se ouvir
Por mais zil anos...
Enquanto os homens exercem
Seus podres poderes
Índios e padres e bichas
Negros e mulheres
E adolescentes
Fazem o carnaval...
Queria querer cantar
Afinado com eles
Silenciar em respeito
Ao seu transe num êxtase
Ser indecente
Mas tudo é muito mau...
Ou então cada paisano
E cada capataz
Com sua burrice fará
Jorrar sangue demais
Nos pantanais, nas cidades
Caatingas e nos gerais
Será que apenas
Os hermetismos pascoais
E os tons, os mil tons
Seus sons e seus dons geniais
Nos salvam, nos salvarão
Dessas trevas e nada mais...
Enquanto os homens exercem
Seus podres poderes
Morrer e matar de fome
De raiva e de sede
São tantas vezes
Gestos naturais...
Eu quero aproximar
O meu cantar vagabundo
Daqueles que velam
Pela alegria do mundo
Indo e mais fundoTins e bens e tais...
Será que nunca faremos
Senão confirmar
Na incompetência
Da América católica
Que sempre precisará
De ridículos tiranos
Será, será, que será?
Que será, que será?
Será que essa
Minha estúpida retórica
Terá que soar
Terá que se ouvir
Por mais zil anos...
Ou então cada paisano
E cada capataz
Com sua burrice fará
Jorrar sangue demais
Nos pantanais, nas cidades
Caatingas e nos gerais...
Será que apenas
Os hermetismos pascoais
E os tons, os mil tons
Seus sons e seus dons geniais
Nos salvam, nos salvarão
Dessas trevas e nada mais...
Enquanto os homens
Exercem seus podres poderes
Morrer e matar de fome
De raiva e de sede
São tantas vezes
Gestos naturais
Eu quero aproximar
O meu cantar vagabundo
Daqueles que velam
Pela alegria do mundo...
Indo mais fundoTins e bens e tais!
Indo mais fundoTins e bens e tais!
Indo mais fundoTins e bens e tais!
O Sempre e o Nunca
O SEMPRE se compromete com o tempo.
O tempo que virá.
O tempo futuro.
O NUNCA é imediato.
É só agora, e não mais.
O SEMPRE cria possibilidades,abre horizontes, apresenta desafios.
O SEMPRE é desafiador.
O SEMPRE é corajoso.
O NUNCA tem medo de avançar.
Tem medo do novo.Tem medo do futuro.
O SEMPRE é inovador.
O SEMPRE se compromete.
O SEMPRE inclui.O SEMPRE abre o diálogo.
O NUNCA coloca um ponto final.
O tempo que virá.
O tempo futuro.
O NUNCA é imediato.
É só agora, e não mais.
O SEMPRE cria possibilidades,abre horizontes, apresenta desafios.
O SEMPRE é desafiador.
O SEMPRE é corajoso.
O NUNCA tem medo de avançar.
Tem medo do novo.Tem medo do futuro.
O SEMPRE é inovador.
O SEMPRE se compromete.
O SEMPRE inclui.O SEMPRE abre o diálogo.
O NUNCA coloca um ponto final.
Ode á Iansã
Iansã
Maria Bethânia
Composição: Gilberto Gil e Caetano Veloso, texto de Maria Bethânia
"Para onde vai a minha vida e quem a leva?
Porque eu faço sempre o que não queria?
Que destino contínuo se passa em mim na treva?
Que parte de mim, que eu desconheço, é que me guia?"
Senhora das nuvens de chumbo
Senhora do mundo dentro de mim
Rainha dos raios, rainha dos raios
Rainha dos raios, tempo bom, tempo ruim
Senhora das chuvas de junho
Senhora de tudo dentro de mim
Rainha dos raios, rainha dos raios
Rainha dos raios, tempo bom, tempo ruim
Eu sou o céu para as tuas tempestades
Um céu partido ao meio no meio da tarde
Eu sou um céu para as tuas tempestades
Deusa pagã dos relâmpagos
Das chuvas de todo ano
Dentro de mim, dentro de mim.
Maria Bethânia
Composição: Gilberto Gil e Caetano Veloso, texto de Maria Bethânia
"Para onde vai a minha vida e quem a leva?
Porque eu faço sempre o que não queria?
Que destino contínuo se passa em mim na treva?
Que parte de mim, que eu desconheço, é que me guia?"
Senhora das nuvens de chumbo
Senhora do mundo dentro de mim
Rainha dos raios, rainha dos raios
Rainha dos raios, tempo bom, tempo ruim
Senhora das chuvas de junho
Senhora de tudo dentro de mim
Rainha dos raios, rainha dos raios
Rainha dos raios, tempo bom, tempo ruim
Eu sou o céu para as tuas tempestades
Um céu partido ao meio no meio da tarde
Eu sou um céu para as tuas tempestades
Deusa pagã dos relâmpagos
Das chuvas de todo ano
Dentro de mim, dentro de mim.
Escrever, humilde técnica
Essa incapacidade de atingir, de entender, é que faz com que eu, por instinto de... de quê? procure um modo de falar que me leve mais depressa ao entendimento. Esse modo, esse "estilo" (!), já foi chamado de várias coisas, mas não do que realmente e apenas é: uma procura humilde. Nunca tive um só problema de expressão, meu problema é muito mais grave: é o de concepção. Quando falo em "humildade" refiro-me à humildade no sentido cristão (como ideal a poder ser alcançado ou não); refiro-me à humildade que vem da plena consciência de se ser realmente incapaz. E refiro-me à humildade como técnica. Virgem Maria, até eu mesma me assustei com minha falta de pudor; mas é que não é. Humildade com técnica é o seguinte: só se aproximando com humildade da coisa é que ela não escapa totalmente. Descobri este tipo de humildade, o que não deixa de ser uma forma engraçada de orgulho. Orgulho não é pecado, pelo menos não grave: orgulho é coisa infantil em que se cai como se cai em gulodice. Só que orgulho tem a enorme desvantagem de ser um erro grave, com todo o atraso que erro dá à vida, faz perder muito tempo.
Clarice Lispector
in "A Descoberta do Mundo" Ed. Rocco - Rio de Janeiro, 1999
Clarice Lispector
in "A Descoberta do Mundo" Ed. Rocco - Rio de Janeiro, 1999
Pertencer
Um amigo meu, médico, assegurou-me que desde o berço a criança sente o ambiente, a criança quer: nela o ser humano, no berço mesmo, já começou.
Tenho certeza de que no berço a minha primeira vontade foi a de pertencer. Por motivos que aqui não importam, eu de algum modo devia estar sentindo que não pertencia a nada e a ninguém. Nasci de graça.
Se no berço experimentei esta fome humana, ela continua a me acompanhar pela vida afora, como se fosse um destino. A ponto de meu coração se contrair de inveja e desejo quando vejo uma freira: ela pertence a Deus.
Exatamente porque é tão forte em mim a fome de me dar a algo ou a alguém, é que me tornei bastante arisca: tenho medo de revelar de quanto preciso e de como sou pobre. Sou, sim. Muito pobre. Só tenho um corpo e uma alma. E preciso de mais do que isso.
Com o tempo, sobretudo os últimos anos, perdi o jeito de ser gente. Não sei mais como se é. E uma espécie toda nova de "solidão de não pertencer" começou a me invadir como heras num muro.
Se meu desejo mais antigo é o de pertencer, por que então nunca fiz parte de clubes ou de associações? Porque não é isso que eu chamo de pertencer. O que eu queria, e não posso, é por exemplo que tudo o que me viesse de bom de dentro de mim eu pudesse dar àquilo que eu pertenço. Mesmo minhas alegrias, como são solitárias às vezes. E uma alegria solitária pode se tornar patética. É como ficar com um presente todo embrulhado em papel enfeitado de presente nas mãos - e não ter a quem dizer: tome, é seu, abra-o! Não querendo me ver em situações patéticas e, por uma espécie de contenção, evitando o tom de tragédia, raramente embrulho com papel de presente os meus sentimentos.
Pertencer não vem apenas de ser fraca e precisar unir-se a algo ou a alguém mais forte. Muitas vezes a vontade intensa de pertencer vem em mim de minha própria força - eu quero pertencer para que minha força não seja inútil e fortifique uma pessoa ou uma coisa.
Quase consigo me visualizar no berço, quase consigo reproduzir em mim a vaga e no entanto premente sensação de precisar pertencer. Por motivos que nem minha mãe nem meu pai podiam controlar, eu nasci e fiquei apenas: nascida.
No entanto fui preparada para ser dada à luz de um modo tão bonito. Minha mãe já estava doente, e, por uma superstição bastante espalhada, acreditava-se que ter um filho curava uma mulher de uma doença. Então fui deliberadamente criada: com amor e esperança. Só que não curei minha mãe. E sinto até hoje essa carga de culpa: fizeram-me para uma missão determinada e eu falhei. Como se contassem comigo nas trincheiras de uma guerra e eu tivesse desertado. Sei que meus pais me perdoaram por eu ter nascido em vão e tê-los traído na grande esperança. Mas eu, eu não me perdôo. Quereria que simplesmente se tivesse feito um milagre: eu nascer e curar minha mãe. Então, sim: eu teria pertencido a meu pai e a minha mãe. Eu nem podia confiar a alguém essa espécie de solidão de não pertencer porque, como desertor, eu tinha o segredo da fuga que por vergonha não podia ser conhecido.
A vida me fez de vez em quando pertencer, como se fosse para me dar a medida do que eu perco não pertencendo. E então eu soube: pertencer é viver. Experimentei-o com a sede de quem está no deserto e bebe sôfrego os últimos goles de água de um cantil. E depois a sede volta e é no deserto mesmo que caminho.
Clarice Lispector
in "A Descoberta do Mundo" Ed. Rocco - Rio de Janeiro, 1999
Tenho certeza de que no berço a minha primeira vontade foi a de pertencer. Por motivos que aqui não importam, eu de algum modo devia estar sentindo que não pertencia a nada e a ninguém. Nasci de graça.
Se no berço experimentei esta fome humana, ela continua a me acompanhar pela vida afora, como se fosse um destino. A ponto de meu coração se contrair de inveja e desejo quando vejo uma freira: ela pertence a Deus.
Exatamente porque é tão forte em mim a fome de me dar a algo ou a alguém, é que me tornei bastante arisca: tenho medo de revelar de quanto preciso e de como sou pobre. Sou, sim. Muito pobre. Só tenho um corpo e uma alma. E preciso de mais do que isso.
Com o tempo, sobretudo os últimos anos, perdi o jeito de ser gente. Não sei mais como se é. E uma espécie toda nova de "solidão de não pertencer" começou a me invadir como heras num muro.
Se meu desejo mais antigo é o de pertencer, por que então nunca fiz parte de clubes ou de associações? Porque não é isso que eu chamo de pertencer. O que eu queria, e não posso, é por exemplo que tudo o que me viesse de bom de dentro de mim eu pudesse dar àquilo que eu pertenço. Mesmo minhas alegrias, como são solitárias às vezes. E uma alegria solitária pode se tornar patética. É como ficar com um presente todo embrulhado em papel enfeitado de presente nas mãos - e não ter a quem dizer: tome, é seu, abra-o! Não querendo me ver em situações patéticas e, por uma espécie de contenção, evitando o tom de tragédia, raramente embrulho com papel de presente os meus sentimentos.
Pertencer não vem apenas de ser fraca e precisar unir-se a algo ou a alguém mais forte. Muitas vezes a vontade intensa de pertencer vem em mim de minha própria força - eu quero pertencer para que minha força não seja inútil e fortifique uma pessoa ou uma coisa.
Quase consigo me visualizar no berço, quase consigo reproduzir em mim a vaga e no entanto premente sensação de precisar pertencer. Por motivos que nem minha mãe nem meu pai podiam controlar, eu nasci e fiquei apenas: nascida.
No entanto fui preparada para ser dada à luz de um modo tão bonito. Minha mãe já estava doente, e, por uma superstição bastante espalhada, acreditava-se que ter um filho curava uma mulher de uma doença. Então fui deliberadamente criada: com amor e esperança. Só que não curei minha mãe. E sinto até hoje essa carga de culpa: fizeram-me para uma missão determinada e eu falhei. Como se contassem comigo nas trincheiras de uma guerra e eu tivesse desertado. Sei que meus pais me perdoaram por eu ter nascido em vão e tê-los traído na grande esperança. Mas eu, eu não me perdôo. Quereria que simplesmente se tivesse feito um milagre: eu nascer e curar minha mãe. Então, sim: eu teria pertencido a meu pai e a minha mãe. Eu nem podia confiar a alguém essa espécie de solidão de não pertencer porque, como desertor, eu tinha o segredo da fuga que por vergonha não podia ser conhecido.
A vida me fez de vez em quando pertencer, como se fosse para me dar a medida do que eu perco não pertencendo. E então eu soube: pertencer é viver. Experimentei-o com a sede de quem está no deserto e bebe sôfrego os últimos goles de água de um cantil. E depois a sede volta e é no deserto mesmo que caminho.
Clarice Lispector
in "A Descoberta do Mundo" Ed. Rocco - Rio de Janeiro, 1999
Apresentação

Olá, criei esse blog com o intuito de compartilhar idéias e tentar assim, dar algum apoio e ou receber, expondo idéias através de textos. Que esses textos, essas idéias possam ajudar de alguma forma quem os lê, assim, como elucidar ou tentar ''clarear'' um pouco certas questões aflitivas e cotidianas.
Acredito que escrever sobre algo é começar a entender algo.
E assim á medida que expuser aqui minhas questões, talvez elas ganhem entendimento mais amplo.
Um abraço!
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